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Como lidar com os jogos da copa?

Com a proximidade de grandes competições e jogos da Seleção Brasileira, uma dúvida recorrente volta a movimentar os setores de Recursos Humanos e D...

Como lidar com os jogos da copa?

Com a proximidade de grandes competições e jogos da Seleção Brasileira, uma dúvida recorrente volta a movimentar os setores de Recursos Humanos e Departamento Pessoal: as empresas são obrigadas a liberar seus colaboradores para assistirem aos jogos?

 

Para os empresários, a falta de clareza sobre as regras trabalhistas nesses períodos pode resultar em queda de produtividade ou, pior, em passivos trabalhistas desnecessários.

 

Neste artigo, a Morais Contábil Pirapora desmistifica o que diz a legislação e apresenta as alternativas legais para a sua empresa alinhar produtividade, engajamento e segurança jurídica.

 

O que diz a CLT? A dispensa é obrigatória?

Direto ao ponto: Não, a dispensa de funcionários em dias de jogos da Seleção Brasileira não é obrigatória. Pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), os dias de jogos não são considerados feriados nacionais, estaduais ou municipais. Trata-se de dias úteis normais de trabalho. Portanto, legalmente, a decisão de liberar ou não a equipe cabe inteiramente ao empregador.

Consequências de faltas injustificadas

Caso a empresa decida manter o expediente normal e o colaborador falte ou se ausente sem autorização prévia, o empregador tem o respaldo legal para:

  • Realizar o desconto proporcional das horas ou do dia não trabalhado;
  • Descontar o reflexo no Descanso Semanal Remunerado (DSR) daquela semana;
  • Aplicar medidas disciplinares cabíveis, como advertências ou suspensões, a depender do histórico do funcionário.

 

4 Alternativas Legais para Lidar com os Jogos na sua Empresa

Embora a legislação dê total controle ao empresário para exigir o expediente normal, o bom senso e o clima organizacional costumam exigir soluções alternativas. O mercado trabalha hoje com quatro caminhos principais:

 

1. Flexibilização do Expediente

A empresa pode optar por permitir a saída antecipada (por exemplo, uma hora antes do jogo) ou a entrada tardia. Outra alternativa prática para cargos compatíveis é o direcionamento do trabalho para o regime de home office exclusivamente no dia da partida, reduzindo problemas logísticos de trânsito.

 

2. Banco de Horas e Compensação de Horas

Se houver a dispensa para assistir ao jogo fora da empresa, essas horas paradas podem ser compensadas posteriormente.

 

Acordo Individual Escrito: Permite que a compensação ocorra dentro do mesmo mês.

Banco de Horas: Se a empresa possuir banco de horas estruturado por acordo individual escrito (compensação em até 6 meses) ou convenção coletiva (compensação em até 1 ano), as horas não trabalhadas entram como saldo devedor para compensação futura.

⚠️ Alerta do Especialista: Se a sua empresa dispensar a equipe por mera liberalidade e não formalizar um termo de compensação prévio, legalmente você perde o direito de exigir que essas horas sejam trabalhadas posteriormente.

 

3. Alternativas Internas (Transmissão no Trabalho)

Para empresas que não podem paralisar as atividades ou preferem manter a equipe integrada, uma excelente alternativa é disponibilizar uma televisão ou telão na empresa, criando um momento de confraternização. O período de transmissão do jogo é considerado tempo à disposição do empregador (horas normais de trabalho).

 

4. Siga as Convenções Coletivas

É fundamental que o RH consulte previamente o sindicato da categoria. Algumas convenções ou acordos coletivos específicos para comércio e serviços podem estabelecer regras locais de funcionamento e compensação de jornada exclusivas para o período de grandes campeonatos.

 

O Risco Oculto: Falta de Formalização

Muitas empresas cometem o erro grave de fazer "acordos de boca" com os funcionários sobre a liberação e a compensação das horas dos jogos.

Sem um documento assinado (Termo de Acordo Individual de Compensação de Horas) ou sem o espelhamento correto dessas horas no sistema de controle de ponto eletrônico, a empresa fica vulnerável a processos trabalhistas futuros questionando o pagamento de horas extras ou descontos indevidos.

Para garantir a segurança jurídica do seu negócio, cada ajuste na jornada deve ser formalizado e documentado de forma clara e prévia.

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